Escolher a carreira de freelancer pode surgir de uma convicção – um profissional que prefira a liberdade de trabalhar por conta própria em vez de ter um chefe e ir todo dia ao escritório – ou de uma contingência, como a perda do emprego. Seja qual for o caso, a falta de um salário fixo ou de uma renda constante não deve gerar insegurança para aplicar o dinheiro: basta ter um pouco mais de cautela.

As aplicações recomendadas aos freelancers não são diferentes das indicadas às pessoas com emprego fixo. “O perfil dos investimentosconsolidados de quem não tem salário vai depender dos objetivos e características de cada um”, diz Sandra Blanco, consultora da Órama, plataforma de investimentos 100% online. Ou seja, o fato de não ser assalariada não impede a pessoa de investir de maneira mais arrojada ou de ter uma carteira diversificada.

Segundo especialistas em finanças, a diferença é a necessidade de ter uma reserva bem estruturada, de onde seja possível resgatar dinheiro em épocas de “vacas magras” para complementar a renda. “A reserva para emergências deve ter a maior atenção do freelancer, pois é o seu colchão de segurança”, diz Sandra.

Analistas indicam que, para os investidores em geral, é necessário ter uma reserva entre seis e 12 vezes os gastos mensais em aplicações seguras e com alta liquidez, para evitar surpresas em caso de imprevistos. Nesse caso, o recomendado são investimentos conservadores, como fundos DI ou títulos do Tesouro atrelados à taxa básica de juros (Selic).

Sandra aconselha que, para os freelancers, uma reserva equivalente a 12 vezes o valor dos gastos mensais seria o ideal para trazer tranquilidade. No entanto, ela destaca que é importante fazer uma revisão anual das aplicações para manter o nível das economias.

A reserva de emergência é fundamental para o profissional independente, mas também é recomendado que ele se preocupe com o futuro e pense na aposentadoria. Entre as opções de previdência complementar, o líder de Novos Negócios da Órama, Luiz Garcia, recomenda, no caso de profissionais sem salário fixo, o VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres), que tem, no momento do resgate, a incidência do Imposto de Renda somente sobre os rendimentos da aplicação, e não sobre todo o seu montante.

Finanças bem controladas

Outra regra de ouro para esse profissional é ter controle das finanças pessoais. “Sabendo que cada centavo faz diferença na sua subsistência, alcançar seus objetivos é desafiador e vai requerer dele muito controle e disciplina”, alerta Sandra Blanco.

Esse gerenciamento pode começar com a definição de um objetivo, por exemplo, uma quantia a ser economizada depois de um determinado período. Definida a meta, várias práticas podem ser adotadas para atingi-la: uma delas é o controle detalhado da entrada e saída de recursos. Separar suas fontes de receitas e de despesas em categorias, discriminando quais gastos ou rendas são recorrentes e quais são pontuais, é uma maneira de facilitar esse trabalho.

Esse planejamento também deve identificar despesas fixas e essenciais, como aluguel e condomínio, por exemplo, e as variáveis, como alimentação, transporte e lazer. Fazendo esse controle, é bem mais fácil saber se está gastando dentro dos seus limites.

Cortar gastos supérfluos é mais uma forma de equilibrar as finanças pessoais. Se você notar um descontrole nas despesas, identifique as categorias de onde mais sai o dinheiro. Avalie se suas assinaturas de revistas, serviços de streaming e TV a cabo são realmente necessárias, ou se os cinemas, jantares e barzinhos com amigos podem dar lugar a eventos em casa, onde se gasta menos. Evitar o pagamento parcelado do cartão de crédito também ajuda a controlar as finanças, evitando os juros das administradoras.

Em termos de entrada de grana, o freelancer deve, sempre que possível, diversificar as suas fontes de renda. Buscar novos negócios e fazer contatos evita que, caso seus clientes mais frequentes parem de contratar seus serviços, por qualquer motivo, você “fique na mão” de uma hora para a outra.

Texto escrito originalmente para o G1.