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Na minha longa vida profissional liderei milhares de pessoas. Hoje, na minha nova função de conselheiro e investidor em empresas inovadoras, encontro, ou recebo notícias, de muitos desses profissionais que trabalharam comigo. Confesso que uma das minhas maiores satisfações é saber que a grande maioria dessas pessoas fala bem do efeito positivo que eu tive na vida delas. Quando isso acontece, o meu dia se ilumina e um senso de realização se estabelece.

Essa sensação de ter sido um bom chefe levou-me a refletir sobre as características que me fizeram um bom líder aos olhos desses profissionais. Foi quando me deparei com artigos e estudos recentes que valorizavam a consistência e a previsibilidade da liderança. Consideram que essas qualidades são mais importantes que habilidades tradicionalmente associadas a um bom líder. Um desses textos defende, inclusive, que é preferível ter um chefe terrível o tempo todo do que um que é terrível apenas parte do tempo.

Pensei comigo mesmo: acho que fui terrível algumas vezes, mas certamente não o tempo todo. Pior, considero que em algumas situações fui imprevisível, inconsistente e incoerente. Busquei modelos de liderança para comparar. Lembrei-me de Steve Jobs, modelo sempre lembrado e quase unânime e incontestável.

Seu biógrafo, Walter Isaacson, escreveu um pequeno livro resumindo suas principais competências como líder. Estão lá: foco, simplificação, a busca da perfeição, atração de talentos excepcionais, ter controle de todos os detalhes, combinar humanidades com ciências. Há vários outros exemplos, como sua famosa capacidade de “distorcer a realidade” quando seus argumentos lógicos de convencimento se esgotavam. Nada de previsibilidade e coerência.

Mas, pensando bem, Steve é especial, one of a kind. Não posso, nem podemos, nos comparar a ele. Mas conjecturei se seria possível tirar lições dessa sua trajetória que serviriam como inspiração para uma nova geração nestes novos tempos. Meus oráculos disseram que sim e sugeriram uma pequena narrativa.

O novo líder compartilha, tem relações horizontais com seus liderados, inspira e entusiasma, é ético, convive com ambiguidades, encoraja quem toma riscos e se responsabiliza por eles, combina ciência com humanidades e conduz seus liderados na construção de um futuro desejado.

Analisando a lista ouso concluir que desenvolvi uma boa parte dessas habilidades, embora certamente não todas. Vivi em um tempo em que as relações profissionais eram estáveis e o mundo empresarial mais previsível. Hoje o ritmo das mudanças se acelerou, as relações são fluidas, as estruturas temporárias e o futuro incerto. Nesse admirável mundo novo precisamos de líderes que surpreendam, seduzam, desconcertem, desconstruam, assombrem, seduzam e nos conduzam por caminhos nunca dantes navegados.

*Texto originalmente escrito para EXAME.com