Para escrever este text, parti da reflexão do Oswaldo Oliveira sobre a falta de colaboração nos ambientes corporativos. Ele vai diretamente na etimologia da palavra, para nos provocar a reflexão sobre do que estamos falando de fato. Cito-o abaixo:

“Corporação (do latim corporis e actio, corpo e ação), é um grupo de pessoas que agem como se fossem um só corpo, uma só pessoa, buscando a consecução de objetivos em comum. Num sentido amplo é um grupo de pessoas submetidas às mesmas regras ou estatutos, e neste sentido é sinônimo de agremiação, associação ou ainda empresa.

Bem diferente da definição de colaboração:

Colaboração é a ação e o efeito de colaborar. Este verbo refere-se a trabalhar/cooperar em conjunto com outra(s) pessoa(s) para realizar um trabalho, uma obra ou um projeto.”

Quando pensamos em tantos projetos de empresas por aí usando de coworking e instrumentos de colaboração para trazer inovação para dentro de casa, eu sempre remeto à essa descrição perfeita. São iniciativas interessantes, mas em algum momento elas são corporativas na essência da palavra: o coletivo age com um corpo só, mesmo com a presença de diversos agentes externos. E se tem uma coisa importante que aprendi nestes anos cobrindo coworking é que devemos tratar essa palavra como um verbo, e não um local. Trabalhar em colaboração pode ser encaixado em um modelo de negócio, mas antes de tudo isso é um mindset, um estilo de vida.

E trazer isso para o ambiente corporativo de trabalho pode ser um grande problema, especialmente quando o coletivo preza pela captura de conhecimento e não o compartilha. Tenho vivido isso nos 2 últimos anos, voltando a trabalhar em empresas.

Dá pra mudar isso? É muito difícil, mas dá. Pequenas práticas podem começar, devagarinho, a instituir uma cultura e uma maneira mais orgânica de girar o conhecimento entre seus colegas.

Mas hoje eu queria primeiro te dar argumentos para pensar em colaboração nos ambientes colaborativos. Mais pra frente falarei de boas práticas.

Transformar o ambiente pelo altruísmo

Quando você entra num mindset colaborativo vindo de outros ambientes que não o são, você sente algo similar ao ambiente ao seu redor se transformando. É natural. A colaboração é um elemento altruísta no comportamento humano, e uma característica muito valorizada em profissionais diversificados. E também gera um comportamento de respeito e retribuição, o que é a identificação pelo altruísmo. Basta um pequeno gesto para que alguém retribua. Isso é bem poderoso em iniciativas sociais e também é em ambientes de trabalho. Uma informação dada pode, e deve, ser retribuída.

E a partir deste sentimento, pode-se criar um costume de compartilhar informações. Mas o importante aqui é não se ater a criar regras em cima disso — senão voltamos ao mindset corporativo, de obrigação e competição. Compartilhar algo é um movimento altruísta, lembre-se. E só com este sentimento ele terá seu valor reconhecido pelos seus pares. Altruísmo não é coisa para românticos, idealistas e santos, longe disso –, os altruístas são realistas, tanto a respeito de si mesmos como em relação ao mundo. E por isso mesmo, conscientes de esta virtude é uma habitualidade.

Encontrando o verdadeiro valor do conhecimento

Nessa linha de auto consciência quanto a altruísmo, podemos falar de desapego também. Ainda há pessoas que acham que o conhecimento dever ser tratado como um nicho onde uma única pessoa seja “dona da informação”. Vem da nossa criação tratar o conhecimento como um bem, assim como uma casa ou um carro. Quanto mais eu tenho, melhor estou, melhor profissional serei. O que é uma inverdade.

O verdadeiro valor do conhecimento acontece quando ele é compartilhado. Lembre-se do seguinte: você teria chegado onde chegou se alguém não tivesse te ensinado algo? Seja um professor, um amigo, um colega de trabalho… É assim que qualquer conhecimento transita: pela oralidade humana, que de geração em geração passa pra frente o que sabe.

Quando você tem uma informação, sua interpretação dela é única. Ela pode ser transformada através do aprendizado, mas ela enriquece muito mais quando cresce de forma colaborativa. Desde uma boa conversa de bar até uma aula, uma reunião, um encontro entre amigos, uma sessão de jogo de tabuleiro… É ruim quando guardamos algo importante dessas interações.

Compartilhar funciona como um estímulo para você buscar mais informações, desafios e evoluir. É uma forma de fazer com que você enxergue novas perspectivas. Que a aula seja melhor para todos. Que a conversa de bar seja proveitosa para todos. Você contribui para o crescimento do outro.

Sendo assim, é sempre positivo procurar ter uma atitude altruísta. Compartilhar conhecimento em um ambiente de trabalho não se trata apenas de dividir ou repassar informação, mas sim abrir espaço para a troca, para o crescimento, tanto pessoal quanto profissional, seu e do outro.

Texto original escrito para o Movebla.