A nossa vida mudou, a sociedade mudou, o mercado mudou, o cliente mudou, o consumidor mudou, o desafio mudou. Mas em pleno 2017 as agências de publicidade e propaganda continuam contratando e gerindo mão de obra como se fazia em 1950.

Relações fixas, exclusivas e perenes. Deslocamento diário ao local de trabalho. Os mesmos horários, a mesma mesa, os mesmos temas, a mesma equipe, a mesma rotina, todos os dias. Hierarquia e departamentos ao invés de trabalho colaborativo com alto grau de interesse e engajamento.

Como exigir máxima criatividade entre as mesmas quatro paredes?

A Crowd ultrapassou a marca de 5.000 profissionais cadastrados e 160 empresas na plataforma. Os últimos meses tem sido intensos e temos visitado a maioria das grandes agências do país, sempre muito bem recebidos.

Mas uma coisa que vem chamando muito minha atenção é o quanto essas empresas tem cada vez mais contratado “freelas” (não gosto desse nome…) para suprir necessidades de ‘aumento de equipe sem ter que pedir aprovação para a matriz’ ao invés de realmente quererem operar em um novo paradigma de mão de obra – paradigma pelo qual a Crowd atua há mais de 3 anos.

Agindo dessa forma, o único benefício é alguma redução no custo da folha, só que acompanhado de um grande aumento de risco trabalhista e a formação, na equipe, de uma ‘sub-classe’ de colaboradores. E o verdadeiro gargalo não é atacado: custos fixos altos frente a receitas cada vez mais variáveis e menores.

Em fevereiro, numa dessas visitas, o CFO LatAm de uma grande agência nos confidenciou durante os primeiros minutos de conversa:

– Estamos precisando muito conquistar uma conta de cerveja.

– Ah é, por que? (perguntei)

– Porque as contas que temos são fortes de abril a dezembro, mas no verão tenho muita ociosidade. Preciso equalizar a demanda de trabalho ao longo do ano para sustentar o negócio.

O problema é maior ainda porque a demanda não é somente variável ao longo do ano, como também cada vez mais variada e especializada. Antigamente, uma agência completa tinha que ter somente uns 4 ou 5 tipos de profissional. Hoje em dia, a gama de disciplinas e campos de atuação da agência se multiplicou por pelo menos 10x e, neste cenário, ter todos os diferentes profissionais necessários para prestar o serviço exigido pelos clientes é simplesmente impossível.

É aí que se torna imprescindível a adoção de uma nova mentalidade na contratação e gestão de mão de obra. Pois praticamente nenhum outro segmento de mercado pode se beneficiar tanto do crowdsourcing e do trabalho em rede quanto a indústria do marketing e comunicação.

Através desse novo paradigma, é possível atingir 3 grandes objetivos:

1. Transformar custo fixo em variável

Numa indústria cada vez mais dinâmica e imprevisível, nada pior do que “começar o mês devendo” uma folha de pagamento enorme e uma estrutura de suporte a essa equipe gigante.

Uma solução é tentar “empurrar” esse problema ao cliente, obrigando-o a predefinir sua demanda ao longo do ano, e de maneira distribuída, para que seja possível acertar um fee mensal que cubra os custos de uma equipe fixa.

Algumas agências até conseguem esse feito contratual após longas e árduas negociações, mas depois sofrem muito ao longo do ano para atender à “montanha-russa (sobe e desce) misturada com trem-fantasma (uma surpresa a cada curva)” das demandas efetivas. O stress da relação é constante.

Através do crowdsourcing e do trabalho em rede, a agência pode ter somente o custo fixo baixíssimo de um núcleo de inteligência, empoderado por uma equipe virtualmente infinita à disposição para trabalhar sob demanda. Desta forma, mais trabalho – mais receita; ou menos trabalho – menos receita (ok) – menos custo (ufa!).

2. Ter sempre os melhores profissionais disponíveis

Cada job hoje em dia exige um profissional com características diferentes. Para um app iOS, não serve um desenvolvedor Android. Para redação em redes sociais de uma marca de moda, não serve quem escreve para bancos. Para fazer o layout de um folheto, não serve um webdesigner. E por aí vai… Ou ainda a empresa até tem aquele determinado profissional na equipe, mas ele já está totalmente envolvido em outra demanda.

Tem também questões relativas a valores e experiência de cada um. Há clientes e projetos que exigem (e o budget permite) contratar o “mestre dos magos” daquela especialidade. Por outro lado, há outros menos críticos, nos quais há restrições de budget e então é necessário buscar um profissional com menos experiência e portanto mais barato.

O segredo então é trabalhar com soluções que permitam à agência ter uma equipe de especialistas sempre disponível, trabalhando sob demanda, com adequação perfeita à cada marca, job e orçamento.

3. Ter uma equipe altamente motivada

Na indústria criativa, o “tesão” para o trabalho que está sendo realizado é de altíssima importância. Junto à geração Y, isso é ainda mais crítico.

Tem quem gosta de trabalhar sozinho, quem gosta de trabalhar em casa, quem gosta de trabalhar à noite, quem gosta de trabalhar enquanto viaja e por aí vai… Um redator fanático por carros vai trabalhar com muito mais motivação num anúncio da BMW do que num anúncio de Purina. E o contrário para um diretor de arte fanático por pets.

Aliás, por que eu não posso passar um período trabalhando menos para ver meus filhos crescerem ou mais para quitar meu apartamento?

É preciso, mais do que nunca, oferecer às pessoas liberdade total no trabalho. Para serem felizes com o que fazem, hoje em dia, as pessoas querem poder escolher o local, o horário, o assunto e a quantidade de trabalho.

Para concluir

Num mundo cada vez mais colaborativo, compartilhado, on demand, dinâmico e imprevisível, as relações de trabalho exclusivas e perenes são um enorme absurdo. E somente deixar de contratar funcionários registrados para “se enganar” PJtizando o máximo possível a equipe é um tiro no pé.

O futuro das agências e de todos os prestadores de serviços de marketing passa necessariamente por libertar o trabalho da instituição do emprego fixo.

Foi assim que a Crowd nasceu e é para isso que a Crowd existe.

Vamos juntos nessa? Faça parte, #sejacrowd

Escrito por Ricardo Longo, sócio-diretor da Crowd